Grundig e Telefunken: o que trazem e o que se pode tirar
· 8 min de leitura
| Grundig Vision 7 GFU 7800 B | Android TV, 50 Hz, HDMI 2.0 |
|---|---|
| Grundig Vision 7 GHU 7970 B | Google TV, 50 Hz, HDMI 2.1 com eARC |
| Grundig Vision 8 GHU 8590 | Google TV, 60 Hz, HDMI 2.1 |
| Telefunken QU50AN900M | Android TV, 50", QLED, classe E |
| Telefunken XU50TO750S | TiVo OS: não é Android, não há ADB |
| Resolução | 4K UHD, 3840 × 2160, em todos |
| Fabricante Grundig | Arctic S.A., Găești, Roménia |
| Fabricante Telefunken | Vestel, licenciada da marca |
| Memória | Nenhuma das duas publica RAM nem armazenamento |
| Brilho | Nenhuma das duas publica um valor em nits |
| Actualizações | 8 anos declarados na ficha EPREL do GHU 7970 B |
Duas marcas de apelido alemão, ambas muito vendidas em Espanha e na Alemanha, e ambas difíceis de investigar por motivos opostos. A Grundig publica muito e contradiz-se. A Telefunken quase não publica nada, porque a Telefunken não fabrica televisores.
Comecemos por aí, que é o que poupa tempo.
A Telefunken não é uma fabricante: é um nome alugado
O próprio site da marca di-lo sem rodeios. Diz que «no início do novo milénio deu-se a mudança estratégica para marca licenciada», e que desde então os produtos são feitos por «empresas independentes e responsáveis por si mesmas (licenciadas da marca)».
Isso tem uma consequência prática: o televisor Telefunken que está numa loja espanhola e o que está numa loja alemã podem não ter nada a ver, porque atrás deles podem estar empresas diferentes.
No motor de busca de assistência técnica da própria Telefunken, se escolhermos televisores («TV-Sets»), o contacto devolvido para Espanha, Alemanha, França, Itália, Portugal e Áustria é o mesmo: Vestel Holland B.V., sucursal alemã, em Garching. A Vestel é uma fabricante turca. Não é uma dedução: é o que o site deles responde.
Mais dois pormenores. telefunken.es não é um site espanhol: devolve um
301 para telefunken.com, que está em alemão. E vestel-germany.de, o
site de assistência que a própria marca indica como contacto, tinha a 30 de
Agosto de 2026 o certificado TLS caducado desde 28 de Fevereiro, e
redirecciona para o site institucional da Vestel, onde não há manuais.
Os dois Telefunken que estão mesmo publicados
Nesse site alemão há exactamente dois televisores, ambos de 50 polegadas e 3840 × 2160:
- QU50AN900M, «50-Zoll QLED Android TV». Classe energética E, PVP 499,99 €. A ficha diz Android TV por extenso: «Android TV, o moderno sistema operativo do televisor».
- XU50TO750S, «50-Zoll 4K-UHD TiVo Smart TV». Classe F, PVP 429,99 €. Leva TiVo OS, que não é Android.
E há duas coisas que não batem certo na mesma página. A ficha do modelo TiVo diz «Display: QLED», mas as suas próprias ligações de compra apontam para um produto descrito como LED. E a do Android diz «Diagonale: 132 cm (50 Zoll)»: 50 polegadas são 127 centímetros, e as suas próprias ligações de compra dizem 126 cm.
De memória, brilho, frequência do painel ou versão de Android, nada.
Se tem o modelo TiVo, este guia não lhe serve. O TiVo OS não é
Android: não há ADB, não há pacotes para desactivar e não há df. É o
mesmo caso do VIDAA ou do Tizen.
Grundig: uma marca alemã que na Alemanha não vende televisores
A Grundig é hoje da Beko (o seu próprio site escreve-o: «a nossa empresa-mãe, Beko») e os televisores são fabricados pela Arctic S.A., em Găești, na Roménia, segundo a ficha de informação do produto europeia de cada modelo.
Isso mudou. Desde 1 de Janeiro de 2026 o nome está licenciado à chinesa Changhong fora da Türkiye, e quem o diz é o relatório integrado de 2025 da própria Arçelik. A citação inteira está na ficha de Grundig e Beko.
O curioso é onde estão. Em grundig.com/de-de, o site alemão, não há uma
única menção a televisores: as categorias são cozinha, roupa, cuidado da
casa e cuidado pessoal. O catálogo de televisores está no site espanhol, e
é de 2022 e 2023.
Que sistema leva cada série
Isto a Grundig publica, modelo a modelo, no campo «Sistema operativo»:
- Vision 7 GFU 7800 B (43", 50", 55") e GFU 7960 B (55"): Android TV. Painel de 50 Hz, três HDMI 2.0, HDR sem Dolby Vision, 2 × 8 W de som (2 × 10 W no 7960 B).
- Vision 7 GHU 7970 B (43", 50", 55", 65", 75"): Google TV. 50 Hz, três HDMI 2.1 com eARC, Dolby Vision e HDR10+, MEMC, 2 × 10 W (2 × 15 W no de 75").
- Vision 8 GHU 8590 (55", 65"): Google TV, e o único com painel de 60 Hz.
Ou seja: a letra que interessa é a terceira. GFU é Android TV; GHU é Google TV. E tirando a série 8590, são todos painéis de 50 Hz, o que a ficha energética europeia confirma, e não só o site.
O que muda entre Android TV e Google TV
O método para os limpar é o mesmo, mas os nomes não.
O lançador. No Google TV é com.google.android.tvlauncher; no Android
TV é com.google.android.leanbacklauncher. Sem ele, o televisor acende a
preto. Qualquer lista copiada da internet que mencione um dos dois não
serve para o outro.
Os menus. O manual da Grundig é explícito em cada caso. Nos GHU, com Google TV, é Definições → Sistema → Acerca de e Definições → Sistema → Armazenamento. Nos GFU, com Android TV, é Definições → Preferências do dispositivo → Acerca e Definições → Preferências do dispositivo → Armazenamento. Se seguir um guia escrito para o outro, é aí que se perde.
Se preferir saltar os menus:
adb shell pm list packages | grep launcher responde numa linha.
A memória: o dado que decide os anos que dura
Nem a Grundig nem a Telefunken publicam RAM ou armazenamento. Em nenhuma ficha, em nenhuma série. E num televisor de gama de entrada é precisamente isso que decide quantos anos aguenta: quando o armazenamento enche, as aplicações deixam de se actualizar e no fim o aparelho não consegue aplicar a sua própria actualização de sistema.
O manual oficial da Grundig chega a mostrar o ecrã de armazenamento com o espaço por preencher: «Espaço total: xx GB».
A boa notícia é que, sendo Android, pode descobri-lo por si. Com o ADB ligado:
df -h /data diz-lhe quanto há e quanto sobra livre.
cat /proc/meminfo | head -1 dá-lhe a memória total.
Se lhe sobrarem menos de dois gigas livres, a limpeza deixa de ser opcional.
O que a Grundig publica e quase ninguém lê
A ficha de informação do produto europeia de cada modelo traz números a sério. O 55 GHU 7970 B declara 77,6 W ligado em SDR, 115 W em HDR, 0,50 W em espera e 2,0 W em espera ligado à rede. O 65 GHU 8590, 100 W e 155 W. O 75 GHU 7970 B, 107 W e 195 W.
E um dado que quase nenhum fabricante destaca: essa mesma ficha declara 8 anos de disponibilidade mínima garantida de actualizações de software e firmware nos GHU, e 7 anos no 55 GFU 7800B. Sete anos de peças e de apoio ao produto em ambos.
Cuidado com a classe energética, porque o site contradiz-se sozinho: o cabeçalho de cada ficha de produto mostra «Classe energética - SDR: A» e dimensões de 0 × 0 × 0 cm, iguais nos dez modelos. A tabela da mesma página diz F ou G, e a ficha europeia confirma-o. Ganha a tabela.
O que trazem de fábrica
O da Google. O lançador, os serviços (com.google.android.gms), a
pesquisa por voz (com.google.android.katniss) e, nos Google TV, o motor
de recomendações (com.google.android.tvrecommendations).
O da marca. Pouco. A Grundig põe o assistente de configuração e a sua camada de imagem e som; o resto do software é o da Google.
O de terceiros. Netflix, Prime Video e companhia, por acordo comercial.
O que sai e o que não
Saem sem pensar muito as aplicações de streaming que não usa e os canais de conteúdo gratuito que enchem o ecrã inicial. Num televisor cuja memória só conhece depois de a medir, cada uma é espaço de que pode vir a precisar.
Antes de tocar em qualquer pacote, passe por Definições → Privacidade: aí estão Localização, Utilização e diagnóstico e Anúncios, com a reposição do ID de publicidade. Corta-se bastante a partir daí, sem ADB e sem risco.
Não se tocam os serviços do Google Play, nem o lançador enquanto não tiver
outro a funcionar, nem nada que comece por com.android. sem saber o que
é: com.android.systemui é a interface e com.android.settings são as
próprias definições.
O que se nota e o que não
Nota-se o espaço recuperado, um ecrã inicial sem serviços que não tem, e menos actividade em segundo plano. Não mudam os 50 Hz do painel, o HDMI 2.0 dos GFU nem o brilho, que aliás também ninguém publica.
Tudo isto se desfaz: os pacotes desactivados voltam com um comando, e uma reposição de fábrica devolve o televisor ao estado da caixa.
Se tem um
Às duas marcas falta exactamente o mesmo: a saída de df -h /data e de
cat /proc/meminfo, e que lançador aparece em pm list packages. Do
Telefunken QU50AN900M não há publicado um único dado de memória, painel ou
versão de Android, por isso aí qualquer resposta de quem tenha um vale mais
do que a ficha oficial.