Tesla e Vivax: o que trazem e o que se pode tirar
· 7 min de leitura
| Marcas | TESLA, do grupo Comtrade; VIVAX, da M SAN Grupa |
|---|---|
| Aviso | Esta Tesla não é a dos automóveis |
| Sistemas na Tesla | Google TV, Android TV, webOS, VIDAA, Linux e nenhum |
| Sistemas na Vivax | Android 11, Android 9 e webOS Hub |
| Entradas no directório | 12 plataformas na Tesla, 4 na Vivax |
| Plataformas exclusivas | Nenhuma, nem numa nem noutra |
| RAM mínima publicada | 1 GB, em 25 modelos Android da Tesla |
| Memória na Vivax | Publicada em 17 dos seus 34 televisores inteligentes |
| Fonte | EPREL, sites das marcas e lista de dispositivos da Google Play |
Comecemos pelo óbvio, porque é a primeira coisa em que vai pensar: a Tesla
deste artigo não tem nada a ver com os automóveis. É uma marca de
electrónica de consumo dos Balcãs. A sua própria página di-lo sem rodeios:
«Tesla is a consumer electronics brand under the Comtrade Distribution,
founded in 2014». O grupo é a Comtrade, de Belgrado, e o rodapé de
tesla.info fecha com «© Comtrade Group 2026». O nome vem de Nikola Tesla,
que era sérvio. Nada mais.
A Vivax é a outra marca que aparece em qualquer loja da região. Por trás está a M SAN Grupa d.o.o., na Dugoselska ulica 5, Rugvica, Croácia, número fiscal 34695138237, inscrita no registo comercial de Zagrebe. A marca diz ter nascido em 2004 e estar em 42 países.
Descarregámos os dois catálogos inteiros, as suas 183 fichas técnicas em PDF, os seus registos europeus e o directório de dispositivos da Google Play. Saem coisas que nenhuma das duas conta na loja.
Nenhuma das duas tem aparelho próprio
Na lista oficial de dispositivos da Google Play, a Tesla aparece com 21
entradas de televisor repartidas por 12 plataformas, e nenhuma é sua:
yeongdeungpo partilha-a com 49 marcas, zhongshan com 48, martin com 46,
dongnae com 45, tamachi com 44. Nesses mesmos bairros estão a Sharp, a
Thomson, a JVC, a Blaupunkt, a Grundig e a Continental Edison.
A Vivax tem cinco entradas em quatro plataformas, e também nenhuma é sua:
elliniko (58 marcas), longshan (52), stanford (52) e zhongshan (48).
Partilha a elliniko com a Philips e com a
Kivi, e a
longshan com a Nokia e a CHiQ.
Não é caso raro: das 439 marcas de televisor do directório, 401 (91 %)
não têm uma única plataforma própria. O que dá nas vistas é o pormenor. Uma
das entradas da Vivax traz como nome de modelo AI PONT, o desenho de
referência que 109 marcas diferentes usam. E o campo de nome comercial da
Tesla em martin diz EU、UK、AP, com a vírgula ideográfica chinesa
incluída: o formulário foi preenchido pelo fabricante, não pela marca.
Seis sistemas operativos ao mesmo tempo
A Tesla vende hoje 158 modelos de televisor no seu site. O seu próprio campo «Smart OS» declara seis coisas diferentes: 40 com Google TV, 34 com Android TV, 26 com webOS, 26 com VIDAA, 7 com Linux e 25 sem qualquer sistema inteligente.
Isso quer dizer que o nome da marca não lhe diz nada sobre o aparelho. O Q65E655GUS leva Google TV e o Q65E665BUV, a uma letra de distância, leva VIDAA. A Série 9 é Google TV, a Série 6 tanto pode ser uma como outra e a Série 3 não tem sistema.
A Vivax é mais simples: dos seus 56 televisores, 34 são inteligentes e 22 não são. Desses 34, 13 levam Android 11, 11 levam Android 9.0 e 9 levam webOS Hub, a versão licenciada do sistema da LG.
Isto importa porque muda o nome do lançador:
com.google.android.leanbacklauncher é a interface antiga do Android TV,
com.google.android.tvlauncher é a do Google TV. E porque nos modelos webOS e
VIDAA nada do que se segue funciona: aí não há ADB.
A memória, que é o dado que decide os anos
Nesta gama, o que decide quanto dura um televisor não é o painel: é a memória. Quando o armazenamento enche, as aplicações deixam de se actualizar e no fim o aparelho já não consegue aplicar sequer a sua própria actualização de sistema.
A Tesla publica a memória, e é preciso ir procurá-la. Não está na tabela
do site: está na ficha em PDF, numa linha chamada RAM/Storage.
Descarregámos as 136 que existem e 98 trazem-na.
O dado duro: dos 66 modelos Android ou Google TV com ficha, 25 declaram 1 GB de RAM. Todos são de 24, 32, 40 ou 43 polegadas, e entre eles há modelos deste mesmo ano, como o 32E655BHS ou o Q43E665GFS. Nas marcas espanholas de gama acessível, 1,5 GB de RAM e 8 GB de armazenamento são o chão, e a TD Systems e a Nevir publicam-nos modelo a modelo. Esses 25 Tesla estão abaixo do chão.
Mais acima o armazenamento é generoso: os E655 de 43 polegadas para cima declaram 2 GB / 64 GB, e os O949 chegam a 3 GB / 32 GB. Nove dessas fichas trazem ainda uma nota que convém ler por inteiro: «*Models produced before 2026 have 16 GB of internal memory». Ou seja, o mesmo número de modelo traz 16 ou 64 gigas conforme o ano de fabrico.
Os que não publicam nada são os 13 modelos VIDAA, todos, mais o Q85E969GUS, que é o topo de gama.
A Vivax publica a RAM de 17 dos seus 34 televisores inteligentes,
exactamente metade, e dos nove de webOS Hub não diz nada no site. Os seus PDF
dizem: os oito que encontrámos trazem 1,5/8GB e o TV-43S60WO traz 1/8GB.
Compare com a Kivi, que publica o armazenamento dos seus 67 modelos e a RAM
apenas de 17, sete deles com 1 GB.
E há uma contradição que vale a pena conhecer: no A Series 65UHD10K e no
75UHD10K, a página web diz «2 GB radne (RAM) memorije» e a ficha técnica
em PDF diz Memory: 1/8GB. Os dois ficheiros são da Vivax.
Veja você mesmo, que aqui dá
O bom de isto ser Android é que não depende da ficha. Com o ADB ligado:
df -h /data diz-lhe quanto armazenamento há e quanto fica livre.
cat /proc/meminfo | head -1 diz-lhe a memória total.
Se lhe sobrarem menos de dois gigas livres, a limpeza que este sítio explica
deixa de ser opcional. E se o /proc/meminfo lhe devolver algo próximo do
giga, já sabe porque é que anda lento. Num E655 comprado este ano,
df -h /data é também a única forma de saber se lhe calharam os 16 gigas ou
os 64.
O que declaram no registo europeu
No EPREL as duas marcas comportam-se ao contrário uma da outra.
A Tesla declara 196 registos e a paginação devolve sempre o mesmo bloco
de 25: conseguimos tirar 46 fichas únicas de sete pedidos, e não vamos
extrapolar. Nessas 46, o registante é a Comtrade Distribucija d.o.o. e
aparece como AUTHORISED_REPRESENTATIVE em 42, ou seja, representante
autorizado e não fabricante. O campo dos anos de actualizações de software
está em branco em 18, diz dois anos em 15, três em 6 e oito em 7. O
serviço de contacto é a ITS d.o.o., de Liubliana.
A Vivax declara 27 e tirámos 25. As 25 estão em nome da M SAN Grupa
d.o.o., as 25 registam-se como MANUFACTURER, as 25 declaram oito
anos de actualizações de software, dois de garantia e sete de peças. Nem um
campo em branco.
Com um pormenor incómodo: o site da Vivax coloca os seus 56 televisores sob a rubrica «Televizori - End of Life», embora os seus registos mais recentes sejam de Maio de 2025.
O que se tira e o que não
O da Google. O lançador, o motor de recomendações
(com.google.android.tvrecommendations), a pesquisa por voz
(com.google.android.katniss) e os serviços (com.google.android.gms).
O de terceiros. A Netflix, o Prime Video e companhia estão lá por acordo comercial. Fora as que não usar: com 8 GB, cada uma é espaço de que vai precisar.
Com cuidado, o motor de recomendações: deixa o ecrã limpo mas esvazia a fila de «continuar a ver».
Sem mexer: os serviços da Google Play, o lançador enquanto não tiver
outro a funcionar, e tudo o que comece por com.android. sem saber o que é.
Tudo isto se desfaz: os pacotes desactivados voltam com um comando e uma reposição de fábrica deixa o televisor como saiu da caixa. O método é o mesmo do resto da gama de marca branca.
Se tem um
Destas duas marcas faz falta sobretudo uma coisa: a saída de
cat /proc/meminfo | head -1 e a de df -h /data. Com algumas respostas
poderemos dizer o que levam mesmo os VIDAA da Tesla, que ninguém publica, e
se o E655 deste ano traz 16 ou 64 gigas.