Descodificadores da Orange, MEO e Vodafone: o que trazem e o que se pode tirar
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| Orange VSB3918 (Infinity HomeBox) | CPU BCM72178, 4 GB de RAM e 32 GB |
|---|---|
| Orange KSTB7259 | CPU BCM72127, 3 GB de RAM e 16 GB |
| MEO e Vodafone | Não publicam memória nem processador de nenhuma caixa |
| Sistema | Android TV, com Play Store na Orange e na Vodafone |
| Propriedade Orange | Cedência sem custo; 50 € (60,50 € com IVA) se não devolver |
| Propriedade MEO | Comodato; 110 € com IVA de 23 % se não devolver |
| Propriedade Vodafone | Comodato; 120 € se não devolver ou devolver alterada |
| Prazo de devolução | 15 dias úteis na Orange, 30 dias na MEO e na Vodafone |
| ADB | Nenhum operador o documenta |
Este directório está escrito quase todo a olhar para televisores. Mas por
baixo de milhões de televisores de Portugal e de Espanha há outra caixa, e
essa caixa também é um Android TV: os mesmos pacotes da Google, a mesma Play
Store, o mesmo com.google.android.gms. O que muda não é a técnica. É de
quem é.
Onze caixas na lista da Google
Na lista oficial de dispositivos Android TV que a Google Play publica há 121 aparelhos que não são televisores, de 67 marcas. Onze são da península:
- Orange TV:
KSTB6130eKSTB7259, ambos com o nome comercial «Descodificador Orange TV». - Orange: três «Orange TV Box» com os códigos
zc4455v_orb,zi4450v_orsezc4450v_orm. A lista não diz de que país são. - MEO(Portugal):
DV8555-MEO,DIW377-MEO,DIW3930-MEO,HP4C02-MEOeDV8985-MEO. - Vodafone:
HP46D, o «VODAFONE TV STICK 1».
Os prefixos não são decoração. DIW377 aparece tão literal na MEO como na
1&1 (DIW377-1u1) e na SFR (DIW377_ALT_FR). DV8555 está na MEO
e na SFR (DV8555-SFR). E o HP4C02 da MEO partilha família com o
HP4CH-NJJ da SALT (Suíça) e com o HP46D da Vodafone.
Quem é que fabrica isto
De uma das três famílias há fonte, e é do próprio fabricante. O sítio de apoio da Sagemcom lista, na mesma categoria «IP DSL Set Top Boxes», o «DIW387 UHD 1&1» e o «DEC DIW387V UHD ALT PT» (ALT PT é a Altice Portugal, ou seja, a MEO). A pesquisa devolve ainda «DIW377 1&1», «DEC DIW377 Alt ME», «DIW252 Lowi» e «VSB3918 Euskatel 16v».
Esse VSB3918 é o mesmo código com que a Orange Espanha trata a sua caixa
de topo na página de ajuda: «Descodificador premium Android TV (VSB3918) -
Orange Infinity HomeBox». A mesma empresa francesa fabrica a caixa da Orange
em Espanha, a da MEO em Portugal e a da 1&1 na Alemanha.
Das famílias DV#### e HP4## não encontrei fonte que diga quem as faz, e
não o vou supor. O único indício está na própria lista da Google: a linha da
Ooredoo escreve o modelo como SKW-HP44J-OTV, com o mesmo HP44J que a stc
usa. Mostrar a sobreposição já é o achado.
A memória, que só um deles publica
Isto surpreende: o operador que mais dados dá é a Orange, e dá mais do que muitos fabricantes de televisores. Nas páginas de ajuda:
- VSB3918 (Infinity HomeBox): «CPU BCM72178; 4GB RAM; 32GB almacenamiento interno», HDMI 2.1 com HDCP 2.2 e eARC, Wi-Fi 6, Bluetooth 5.0, Gigabit Ethernet e sintonizador TDT DVB-T2.
- KSTB7259: «CPU BCM72127; 3GB RAM; 16GB almacenamiento interno», com as mesmas ligações menos o eARC.
São 4 GB e 32 GB. Exactamente o mesmo que o Google TV Streamer, e quatro vezes o armazenamento de um Chromecast. A caixa que o operador lhe empresta é, em memória, melhor aparelho do que o televisor onde a liga.
A MEO não publica memória nem processador de nenhuma MEOBox. A Vodafone também não, nem do descodificador nem do TV Stick. As páginas de ajuda são de utilização, não de ficha técnica. Isso também é um dado.
A pergunta que interessa: é sua?
Não. E os três escrevem-no.
A Orange, nas Condições Gerais de Fevereiro de 2025: «Orange cederá sin coste mensual el uso y disfrute del Dispositivo al Cliente durante el plazo pactado». A página de devoluções remata sem rodeios: «El equipo es propiedad de Orange». Quem não devolver paga «una penalización de 50€ (60,50€ IVA INCLUIDO) por cada uno de ellos», e o prazo são 15 dias úteis desde o fim do contrato.
A MEO, nas Condições Gerais, cláusula 3.2 b): em aluguer ou comodato o equipamento «permanecerá propriedade da MEO», e o cliente obriga-se a utilizá-lo para o que ficou combinado «abstendo-se de o ceder, disponibilizar a terceiros ou introduzir-lhe alterações». Trinta dias para o entregar. O impresso de devoluções põe preço na MEOBox: 110 €, com IVA de 23 % incluído, com uma frase que convém ler duas vezes: «A emissão da fatura implica a transmissão da propriedade dos equipamentos». Pagando, a caixa passa a ser sua.
A Vodafone é a mais explícita das três. O contrato de particulares entrega o Equipamento «compuesto de un decodificador y un mando a distancia» em «régimen de comodato (cesión gratuita)», e o cliente compromete-se «a no dañarlo, extraviarlo, cederlo, manipularlo ni efectuar modificaciones técnicas sobre el mismo». Um mês para devolver e 120 € se não o fizer «o bien lo devuelve deteriorado o manipulado».
Essa palavra, manipulado, é o que separa esta ficha de todas as outras do sítio. No seu televisor, tirar uma aplicação é consigo. Aqui há um contrato assinado a dizer que não.
O que se tira sem sair do contrato
Bastante, na verdade, porque os operadores documentam a parte fácil.
As quatro páginas de descodificador da Orange dizem o mesmo: «al tratarse de
un dispositivo Android TV puedes acceder a la Play Store desde la sección
Aplicaciones». E explicam como desinstalar: arrastar a aplicação «hasta el
icono de cubo de basura», com o aviso de que «hay determinadas aplicaciones
que no pueden ser eliminadas». A Vodafone descreve o seu descodificador
Android com «Apps precargadas para tu televisión y acceso a todas las
incluidas en Google Play Store». A MEOBox está na Google Play como
com.alticelabs.meo.androidtv.
O que está por baixo do lançador do operador é o Android TV de sempre. O que não pode é mexer-lhe por baixo.
ADB: ninguém o documenta
Procurei as opções de programador, a depuração ADB e um número de versão do Android nas páginas oficiais dos três operadores. Não aparecem em nenhuma. Nem para dizer que existem, nem para dizer que não. Nem a Orange nas suas quatro fichas, nem a Vodafone, nem a MEO.
Por isso aqui não há lista de pacotes nem comando para copiar. O honesto é dizer que o operador não o documenta, e que a cláusula da Vodafone sobre «modificaciones técnicas» está escrita, com uma indemnização ao lado.
A saída a sério: o outro HDMI
Se quer ser você a decidir, a caixa do operador não é o sítio. O sítio é a entrada HDMI ao lado, com um aparelho que seja mesmo seu. Está em leitores externos: o que trazem e o que se lhes pode tirar.
Com ressalvas por operador, e são importantes:
- A Orange prevê isso: «Si el Cliente no desea conectar el descodificador al receptor de TV podrá descargarse la aplicación Orange TV en su Smart TV». Avisa que sem descodificador pode perder «determinados contenidos» ou «ciertos canales Premium».
- A MEO também: a App MEO TV pede Android TV 9.0 ou superior.
- A Vodafone não. A própria página de dispositivos compatíveis diz que «La App Vodafone TV no está disponible para Apple TV, dispositivos Android TV Box». Com a Vodafone, o leitor próprio serve para tudo menos para a Vodafone TV.
E uma frase da Orange a ter presente antes de imaginar revendas: «Este descodificador no permite el acceso a la señal de otros operadores».
O que a caixa vê
É um Android TV com a conta do operador por cima, por isso a recolha de dados é a do costume mais a do operador, que ainda por cima sabe que canal está a ver. O que se pode desligar e o que não está em que dados recolhe mesmo a sua smart TV.
Uma nota da Orange que ajuda: a conta Google é opcional. «Puedes saltarte estas pantallas y seguir utilizando el servicio de Orange TV con total normalidad».
Se tem uma
A lista de pacotes de uma MEOBox ou de um descodificador da Vodafone valia ouro, porque nenhum dos dois publica nada. Mas antes de a tirar, leia o contrato: o aparelho é do operador e há um número escrito ao lado da palavra «manipulado».