Sem Android

Descodificadores Magenta, waipu e Swisscom: o que trazem e o que se pode tirar

· 8 min de leitura

Ficha visual do Descodificadores Magenta, waipu e Swisscom com os dados principais
Descodificadores Magenta, waipu e Swisscom: os dados que definem o aparelho
Ficha técnica
MagentaTV One (2.ª ger.)Amlogic S905X4, 4 GB de RAM e 32 GB, Android 12
waipu.tv BoxAmlogic S905X5M, 4 GB de RAM e 32 GB, Android 14
waipu.tv Stick (2.ª ger.)3 GB de RAM e 32 GB, Android 14
HD+ IP TV-Stick32 GB e Android 14; a RAM não é publicada
PŸUR TV-BoxBroadcom 72178 e 16 GB; o campo da RAM está vazio
Swisscom TV-Box 5Synaptics Cortex-A55; nem RAM nem armazenamento
Propriedade TelekomAluguer; a devolução é regulada pelo contrato
Propriedade PŸURNunca é sua, nem alugada nem emprestada
Propriedade 1&1Passa a ser sua ao fim de 24 meses
Propriedade SwisscomSua desde o primeiro dia
ADBNenhum dos oito o documenta

A Alemanha é um dos seis mercados deste directório, e lá a televisão do operador não se vê no televisor: vê-se numa caixa ligada ao televisor. Oito marcas repartem-na entre a Alemanha, a Áustria e a Suíça.

Todas são Android TV. Os mesmos pacotes da Google, a mesma Play Store. O que muda não é a técnica: é de quem é o aparelho. E aqui, ao contrário de outros mercados, não há uma resposta só.

Catorze caixas na lista da Google

Na lista oficial de dispositivos que a Google Play publica há 209 aparelhos que não são televisores, de 109 marcas e com 168 códigos de plataforma diferentes. Catorze linhas vêm da área germanófona:

  • Magenta TV: duas linhas, «MagentaTV ONE» e «TV Box», com o mesmo HY44G. Austrostream: SEID00ORS.
  • waiputv: SEI700WP (stick), SEID00BWP (box) e SEID00DWP (stick de segunda geração).
  • HD_Plus: SEI900HDPLUS. PYUR: m377genb_pyur.
  • 1&1: DIW377-1u1 e diw387_1u1.
  • Swisscom: IP2300. SALT: HP4CH-NJJ.
  • Net+: uzw4068nps e uzx4020nps.

A descoberta vem de procurar por código em vez de por marca. HY44G não aparece uma vez: aparece quatro. A mesma caixa com Magenta TV, com COSMOTE TV (Grécia), com T-Mobile-CZ-Telekom-SK, que a vende como «TV Box HY4403», e com Iskon (Croácia). As três primeiras são do grupo Deutsche Telekom. E a lista nomeia o produto alemão: MagentaTV One.

SEI Robotics, ou quem fabrica isto de verdade

O prefixo SEI também não é decorativo. Na mesma lista há uma linha cuja marca é, literalmente, Shenzhen SEI Robotics. Esse prefixo está na waipu.tv, na HD+ e na Austrostream, e vai muito para lá da Alemanha: Claro na América Latina (SEI800AMX), GOTV (SEID04GM) e MTN (SEI740DEM) em África, e Odido nos Países Baixos (SEI800TFAS).

Há uma confirmação melhor, e está num PDF da própria Telekom. A ficha técnica do manual da MagentaTV One de segunda geração identifica a sua fonte de alimentação como SEI-0502000-EU. O mesmo prefixo, num PDF assinado pela Telekom.

As outras duas famílias também se cruzam. DIW377 é nomenclatura da Sagemcom e aparece igual na 1&1, na MEO de Portugal (DIW377-MEO) e na SFR (DIW377_ALT_FR). E uzw4068nps da Net+ partilha família com uiw4068pxm da Proximus, uiw4054aib da Altibox e uzw4054ttg da TalkTalk.

A memória: um publica-a e os outros escondem-na

A waipu.tv é a única das oito que põe a ficha técnica completa na página de produto. O stick de segunda geração: Amlogic S905X5M, Android 14, 3 GB de DDR4 e 32 GB eMMC. A box: o mesmo processador, 4 GB e 32 GB. Com consumo, codecs e número WEEE.

A Telekom publica-a, mas só dentro do PDF do manual, não na página de produto:

  • MagentaTV One (2.ª geração): Amlogic S905X4, Android 12, 4 GB de DDR4 e 32 GB eMMC, com 2,4 W em espera.
  • MagentaTV One (1.ª geração): o mesmo processador, mas Android 10 e 16 GB. Metade, com o mesmo nome comercial.
  • MagentaTV Stick: Amlogic S905Y2, Android 9 de origem, 2 GB e 8 GB.
  • MagentaTV Box e Box Play: Broadcom BCM 7268 e 8 GB eMMC.

A HD+ publica 32 GB e Android 14, mas não a RAM. A Magenta Áustria dá 2 GB e 16 GB com Android 10: a sua caixa não é a MagentaTV One. A Swisscom diz apenas «Synaptics Quad-Core ARM Cortex A55» e nem uma cifra de memória. A Salt e a Net+ não publicam nada.

A PŸUR merece uma linha à parte. A sua tabela técnica tem mesmo uma linha intitulada «Hauptspeicher», memória principal. Está vazia. Por baixo diz Broadcom 72178 e 16 GB de flash, mas o campo da RAM ficou por preencher no próprio sítio deles.

Ilustração. Decorativa: os detalhes estão nos diagramas do texto.

É sua? Cinco respostas diferentes

É aqui que este mercado se separa de todos os outros. A mesma pergunta, oito contratos, cinco respostas.

A Telekom não a oferece. A última linha do manual da MagentaTV One di-lo sem rodeios: «Die Rückgabe von Mietgeräten wird über den Mietvertrag geregelt» («A devolução dos aparelhos alugados é regulada pelo contrato de aluguer»). Na Áustria a Magenta TV Box é «optional mit Magenta TV Box (zzgl. € 2 mtl.)»: dois euros por mês, e continua a não ser sua.

A PŸUR é a mais explícita. As suas condições, ponto 4.2: se o aparelho é entregue em aluguer ou em empréstimo, «verbleibt es im Eigentum der Gesellschaft bzw. des Herstellers» («continua a ser propriedade da empresa ou do fabricante»). A página de devoluções repete-o na segunda pessoa: «Die zur Verfügung gestellte Hardware ist in unserem Eigentum verblieben. Für einen Verlust müssen Sie leider haften» («O material fornecido continuou a ser propriedade nossa. Por uma perda responde o senhor»). O valor depende de «dem Gerätealter», a idade do aparelho.

A waipu.tv deixa-o escolher, e escreve-o nos dois sentidos. Em aluguer: «Der Stick wird für die Dauer der Paketlaufzeit zur Miete überlassen und ist anschließend zurückzugeben», e na rescisão «muss der waipu.tv Stick auf eigene Kosten zurückgesandt oder zum Restwert abgelöst werden»: devolve-o pagando o envio, ou paga o valor residual e fica com ele. Em compra directa são 79,99 € o stick e 129,99 € a box, e aí já é seu.

A 1&1 oferece-a com o tempo. As suas condições, ponto 13.1: num contrato com período mínimo, «geht das Eigentum nach Ablauf von 24 Monaten nach Vertragsschluss auf den Kunden über» («a propriedade passa para o cliente decorridos 24 meses sobre a assinatura»). Até lá são 4,99 € por mês e por caixa.

A Swisscom dá-a desde o primeiro dia. A página de ajuda do aparelho, à pergunta sobre a rescisão: «Die TV-Box ist dein Eigentum und du musst diese nicht zwingend an Swisscom retournieren» («A TV-Box é sua propriedade e não tem de a devolver à Swisscom»). E a HD+ nem sequer a inclui no serviço: o stick compra-se por 69 €, e as suas condições descrevem um aparelho «das im Leistungsumfang jedoch nicht enthalten ist» («que não está incluído na prestação»). O que continua a ser da HD+ é apenas o cartão.

O que recolhe uma caixa que não é sua

Na Alemanha esta pergunta pesa mais do que em qualquer outro mercado, e convém tratá-la com as condições à frente e sem alarmismo.

O primeiro ponto é que a caixa do operador não acrescenta uma camada nova de recolha: acrescenta dois consentimentos. A Magenta Áustria põe-no na nota de rodapé da sua página: «Die Verwendung der TV Box erfordert die Zustimmung der Google Nutzungsbedingungen, der Google-Datenschutzerklärung sowie der Google Play Nutzungsbedingungen». A Swisscom explica o mesmo e acrescenta a parte que interessa: «Wir senden keine Daten an Google, insbesondere nicht zur blue TV-Nutzung» («Não enviamos dados à Google, e em particular nenhum sobre a utilização do blue TV»). É uma afirmação do operador, não uma auditoria, mas está escrita.

O segundo é mais incómodo, e é da waipu.tv: os canais chamados New-TV financiam-se com publicidade, e «Kunden, die keine Zustimmung zur Speicherung und Verarbeitung von personenbezogenen Daten erteilen, können entsprechend nicht alle New-TV-Sender und Mediatheken nutzen» («os clientes que não derem consentimento para o armazenamento e tratamento de dados pessoais não poderão usar todos os canais New-TV nem todas as mediatecas»). Dizer que não custa canais.

O que se pode desligar e o que não está em que dados recolhe mesmo a sua smart TV.

ADB: ninguém o documenta, e há uma cláusula ao lado

Procurei as opções de programador, a depuração ADB e a palavra «sideload» em tudo o que foi descarregado: os cinco manuais em PDF da Telekom, as páginas de produto e de ajuda dos oito operadores e as suas condições. Não aparecem uma única vez.

O que aparece é o outro lado. As condições da PŸUR, ponto 4.7, obrigam o cliente a não fazer «weder Eingriffe in die installierten Anschlusskomponenten, die überlassenen Endgeräte noch die darin befindliche Software» («nem intervenções nos componentes instalados, nem nos aparelhos cedidos, nem no software que contêm»). Numa caixa que não é sua, isso está assinado.

Outro dado que não aparece em lado nenhum: a ficha energética. Os descodificadores não estão no registo EPREL, e nenhum dos oito menciona uma etiqueta regulada. Não é um descuido deles.

A saída real: a outra entrada HDMI

Se quer decidir o senhor o que corre no ecrã, a caixa do operador não é o sítio. O sítio é a entrada HDMI ao lado, com um aparelho comprado por si. Está em leitores externos: o que trazem e o que se pode tirar.

E aqui há uma vantagem que outros mercados não têm: todos têm aplicação para leitores de terceiros. A Telekom lista o MagentaTV em Fire TV, Chromecast, Google TV Streamer e qualquer Android TV a partir da versão 7.1, e a Magenta Áustria escreve que o serviço funciona «ohne TV Box».

Se tem uma

A lista de pacotes de uma PŸUR TV-Box ou de um Net+ Box TV valeria ouro, porque nenhum dos dois publica nada. Mas antes, leia o contrato: em várias destas oito marcas o aparelho da sua sala não é seu, e em pelo menos uma há uma cláusula que proíbe mexer no software.

Tudo o que está aqui aplica-se a um aparelho que lhe pertence, e toda a desinstalação é reversível. Os limites deste projecto: O que fazemos e o que não