Por televisor

Finlux, Luxor e Regal: o que trazem e o que se pode tirar

· 8 min de leitura

Ficha visual do Finlux, Luxor e Regal com os dados principais
Finlux, Luxor e Regal: os dados que definem o aparelho
Ficha técnica
MarcasFinlux, Luxor, Regal, Techwood, Digihome e EVVO
Quem assinaSeis sociedades do grupo Vestel
Registos do EPREL1.518 descarregados, 1.195 do grupo
Regal no EPRELNenhum registo
Na lista da GoogleNenhuma entrada de Finlux, Luxor ou Regal
SistemaAndroid TV, Google TV, Fire TV, TiVo, VIDAA ou Linux
Actualizações8 anos na Finlux, 2 na Luxor e na Techwood
FonteEPREL, relatório anual 2024 e sítios das marcas

Há um fabricante de televisores em quase todas as lojas da Europa e quase ninguém sabe nomeá-lo, porque nunca está na frente do aparelho. Chama-se Vestel, é turco e pertence ao grupo Zorlu. O seu relatório anual de 2024 descreve-o como «um dos três primeiros do mercado europeu de televisores LCD». Na prateleira está outra coisa: Finlux, Luxor, Regal, Techwood, Digihome, EVVO, e também Toshiba, Telefunken, JVC, Daewoo e Hitachi.

Comecemos pela mais fácil

A Finlux conta-o no seu próprio sítio, na página «history», sem deixar nada por deduzir:

«Finlux is a brand name used by Turkish manufacturer Vestel for a line of consumer electronic related products, including flat screen LED TVs.»

E na linha de 2006: «Finlux is owned by Europe's largest TV manufacturer, the Turkish electronics manufacturer Vestel, owned by the Zorlu Holding corporate group». A página de contacto de finlux.com não dá nenhuma morada finlandesa: dá «Vestel Trade Co., Organize Sanayi Bölgesi (OSB), 45030 Manisa/Turkey». O rodapé continua a dizer «© 2017, FINLUX, Inc.».

Essa mesma página enumera todos os donos do nome: Iskumetalli em 1964, Lohja, Nokia em 1992 (que já fabricava com as marcas Salora, Schaub-Lorenz e Oceanic), Semi-Tech em 1996, falência em 2005 e Vestel em 2006. Cinco donos para uma marca que quase toda a gente julga finlandesa.

A base de dados das etiquetas não discute

Todo o televisor vendido na União Europeia tem de estar registado no EPREL em nome da empresa responsável. Procurando por marca e anotando a firma de quem regista, é isto que sai. A coluna da direita são os registos assinados por uma sociedade do grupo Vestel:

marca      declarados   descarregados   grupo Vestel
Telefunken      1.046             214            213
Toshiba           883             222            214
JVC               979             213            152
Finlux            508             156            113
Hitachi           265             122            122
Daewoo            244             126            126
Techwood          139              93             93
Vestel             93              72             72
Luxor              90              75             44
Digihome           41              41             41
EVVO                5               5              5
Regal               0               0              0

Convém dizer como se descarrega isto, porque a coluna da esquerda e a do meio não coincidem e não há truque nenhum: a API do EPREL devolve o total declarado, mas a paginação não percorre o conjunto. Com page os blocos repetem-se e com offset o tecto são 50 registos únicos por consulta, seja qual for a ordenação. O que funciona são os filtros energyClass, energyClassHDR e panelTechnology: partindo a consulta, chega-se mais longe. Contando também as duas marcas de controlo do parágrafo seguinte, são catorze pesquisas, 4.573 registos declarados e 1.518 descarregados. Desses 1.518, 1.195 são assinados por seis sociedades do grupo: Vestel Holland B.V. (674), a sua sucursal alemã (315), VESTEL France (135), Gruppo Industriale Vesit S.p.A. (43), Vestel Holland BV Sucursal en España (23) e Vestel Poland Sp. z o.o. (5).

Na Digihome, Hitachi, Daewoo, Techwood, EVVO e na própria marca Vestel é 100 % do que foi descarregado. Como contraprova descarregaram-se duas marcas parecidas de fora do grupo: os 103 registos Salora são de Albers Trading BV e os 76 Nabo, de Baytronic Handels GmbH. Nem um só da Vestel. A prova funciona nos dois sentidos.

E essa firma não é coincidência de redacção: a loja alemã da marca Vestel declara «Vestel Holland B.V. Germany Branch Office, Parkring 6, 85748 Garching bei München», exactamente a sociedade que assina 315 registos da tabela.

Regal: zero registos e um domínio morto

A Regal não aparece no EPREL. Nem um registo. Também não precisa: é a marca turca do grupo e vende-se na Turquia. O relatório anual diz «Vestel has 1,382 Vestel stores and 954 Regal sales points throughout Türkiye, as well as 9 Finlux distributors», e a página dos pontos de venda indica o domínio: regal-tr.com.

O domínio que quase toda a gente escreveria, regal.com.tr, resolve para um IP e depois esgota o tempo de espera nas portas 80 e 443. O que responde, regal-tr.com, serve as imagens a partir de vestel.com.tr e tem o aviso de cookies assinado por «Vestel Ticaret Anonim Şirketi», a mesma sociedade que assina o sítio da Vestel. A marca nem tenta disfarçar.

Ilustração. Decorativa: os detalhes estão nos diagramas do texto.

Luxor: quem o diz é o importador

luxor.fi é o sítio finlandês da marca e está logo na página inicial: «Nykyisin Luxorin laadukkaita televisioita valmistaa Vestel ja maahantuo kotimainen Helkama Kodinkoneet», hoje os televisores Luxor são fabricados pela Vestel e importados pela Helkama Kodinkoneet. Esse importador é precisamente quem assina 15 registos Luxor no EPREL. Outros 16 são assinados pela NetOnNet AB, uma cadeia de lojas sueca, e assinados como fabricante.

Os domínios que se experimentariam primeiro não levam a lado nenhum: www.luxor.se tem o TLS partido e por HTTP serve uma página de 576 bytes intitulada «Luxor//Radio»; luxor.no é uma sauna em Isfjorden; www.luxor.dk é uma sociedade de investimento. E vestel-holland.com, o domínio do nome que assina 674 registos, nem sequer resolve.

Oito anos para o Finlux, dois para o Luxor

O EPREL guarda um campo, minAvailabilitySoftwareUpdatesYears, com os anos de actualizações que o responsável promete. Nos 1.518 registos descarregados: 914 dizem oito anos, 320 dizem dois, nove dizem sete e 275 estão em branco.

O interessante é que a repartição não é decidida por quem regista, mas pela marca. A Vestel Holland B.V. declara oito anos em 67 Finlux, 110 Toshiba e 82 Telefunken, e dois anos em 11 Luxor e dois Techwood. A VESTEL France declara dois anos em 73 dos 80 Techwood que assina. A mesma empresa a prometer quatro vezes menos consoante o logótipo da caixa.

Nenhuma das três está na lista da Google

O directório deste sítio guarda, para cada modelo, o device que o próprio televisor declara: a plataforma sobre a qual está construído. Vem da lista de dispositivos compatíveis da Google Play: 2.228 televisores, 439 marcas, 222 plataformas.

Finlux, Luxor, Regal, Techwood, Digihome e Vestel não têm uma única entrada. As suas marcas licenciadas têm: JVC 79, Daewoo 20, Toshiba 12, Hitachi quatro, EVVO duas e Telefunken exactamente uma, a plataforma SW4H, que partilha com outras 24 marcas. A SW6H da JVC leva 27 marcas em cima e a SW4H_FF, dez.

Cinco sistemas sob um só nome

É isto que interessa mesmo antes de mexer em seja o que for. A loja alemã da marca Vestel vende, na mesma página de televisores, modelos com Android TV, Google TV, Fire TV e TiVo. O menu de televisores de regal-tr.com oferece Fire TV, Tivo TV, Vidaa TV e 4K Ultra HD Android TV. E o importador finlandês da Luxor avisa que a sua gama inclui «älytelevisioita Android- tai Linux-käyttöjärjestelmällä»: uns com Android, outros com Linux.

Em três desses cinco sistemas o ADB não pode fazer nada. A marca não diz nada, a gama também não, e a única coisa que serve é perguntar ao aparelho:

adb shell getprop ro.product.device

Se o comando não responder, não é um Android TV e esta ficha não é a sua. Se responder, o que sair é o que há que procurar no directório, não o nome da frente. E aqui está a parte prática: a lista de pacotes de um Toshiba serve para o Telefunken que partilha a plataforma, porque o software não é escrito pela marca.

O que sai e o que não sai

Sai sem pensar duas vezes: as aplicações de streaming que não usa, os canais de conteúdo gratuito do ecrã inicial e os modos de demonstração de loja.

Vê-se antes: o motor de recomendações (com.google.android.tvrecommendations), que limpa o ecrã mas também esvazia a linha «continuar a ver».

Não se toca: os serviços da Google Play (com.google.android.gms), o lançador (com.google.android.tvlauncher ou com.google.android.leanbacklauncher) e tudo o que começa por com.android. sem se saber o que é.

Tudo isto se desfaz: um pacote desactivado volta com um comando.

Se tiver um

Envie a saída de adb shell getprop ro.product.device juntamente com a marca e o modelo comercial. A Finlux, a Luxor e a Regal não têm uma única entrada na lista da Google, e duas ou três respostas bastariam para saber em que plataformas estão. O mesmo mecanismo com outros nomes está em JVC, Blaupunkt e Hyundai e em Hitachi, Sanyo e Schneider .

Tudo o que está aqui aplica-se a um aparelho que lhe pertence, e toda a desinstalação é reversível. Os limites deste projecto: O que fazemos e o que não