JVC, Blaupunkt e Hyundai: o que trazem e o que se pode tirar
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| Marcas | JVC, Blaupunkt, Hyundai, RCA e Haier |
|---|---|
| Entradas no directório | 79, 51, 57, 28 e 40 |
| Plataformas exclusivas | Nenhuma na Hyundai, na Blaupunkt nem na RCA |
| Em todo o directório | 439 marcas, 222 plataformas, 91 % sem nenhuma própria |
| Sistema | Android TV ou Google TV conforme o modelo; alguns, VIDAA |
| Fabricante | Não é o nome da frente |
| Memória | Quase nenhuma ficha a publica |
| Fonte | Lista de dispositivos do Google Play e sites oficiais |
No directório deste site, a JVC é a marca com mais entradas: 79. Atrás vêm a Hyundai com 57 e a Blaupunkt com 51. A Philips tem 48, a Sony 45 e a Samsung 36. Nenhuma dessas três primeiras fabrica televisores.
Quem põe o nome
A Blaupunkt di-lo no seu próprio site, na página de informação de licença: «BLAUPUNKT e o logótipo BLAUPUNKT são marcas registadas da Talisman Brands, Inc. e são usados sob licença da Talisman Brands, Inc. BLAUPUNKT licenciados são os únicos responsáveis pelos BLAUPUNKT produtos de marca fabricados, distribuídos e vendidos sob licença.»
O rodapé do site da RCA diz «© RCA is a trademark of Established», e o da Blaupunkt, «© Blaupunkt is a trademark of Established». É a mesma empresa de licenciamento, a established.inc, que declara 20 marcas e mais de 200 licenciados. Thomson, Schneider, Saba e Proscan estão na mesma carteira, e as quatro aparecem também no directório.
A Hyundai põe-no no rodapé do seu site italiano, sem rodeios: «Distributore per l'Italia, San Marino e Città del Vaticano: EUROCOM D.L.E. S.p.A. […] su licenza di HYUNDAI Corporation Holdings, Korea».
E a JVC, o caso mais chamativo: nem o jvc.com nem o es.jvc.com vendem televisores. As suas categorias são auscultadores, projectores, electrónica para automóvel e material profissional. A marca com mais televisores do directório não tem televisores no seu site europeu.
A prova está no directório
Para cada modelo, o directório guarda o device que o próprio aparelho
declara: a plataforma sobre a qual está construído. Vem da lista de
dispositivos compatíveis do Google Play, não de um catálogo comercial.
Repare na plataforma elliniko. Estas seis linhas são literais:
Blaupunkt,BLAUPUNKT GOOGLE TV 4K,BLAUPUNKT,elliniko,tv
Hyundai,4K SMART TV,HYUNDAI,elliniko,tv
JVC,4K SMART TV,JVC,elliniko,tv
Motorola,4K SMART TV,MOTOROLA,elliniko,tv
Philips,4K SMART TV,PHILIPS,elliniko,tv
RCA,4K SMART TV,RCA,elliniko,tv
Seis marcas, a mesma plataforma, e cinco delas a declarar o mesmo nome de
modelo: «4K SMART TV». Ao todo há 58 marcas sobre elliniko.
A plataforma martin vai mais longe. JVC, Blaupunkt, Hyundai e Schneider
partilham nela não só o device, mas a mesma cadeia de território
comercial, carácter a carácter: EU、UK、AP.
Em tamachi a repartição lê-se por países: a linha da JVC tem anotado
france, a da Hyundai Italy e a da Blaupunkt Turkey. Três marcas, três
mercados, um aparelho. E encaixa no que diz o próprio site italiano da
Hyundai, cujo distribuidor cobre «Itália, São Marino e Cidade do Vaticano»:
outra entrada da Hyundai no directório traz exactamente essa lista de
territórios.
Em sadang vê-se o mesmo mecanismo no Reino Unido. Ali há um JVC cujo
território anotado não é um país mas uma cadeia de lojas, Dixons, e ao
lado dele Logik, Cello e Linsar. Quatro nomes nas prateleiras, uma
plataforma.
Os números completos, contados sobre o directório:
- JVC: 79 entradas, 39 plataformas, 37 partilhadas com outra marca. Só duas são exclusivamente suas.
- Hyundai: 57 entradas, 38 plataformas, nenhuma exclusiva.
- Blaupunkt: 51 entradas, 34 plataformas, nenhuma exclusiva.
- RCA: 28 entradas, 18 plataformas, nenhuma exclusiva.
- Haier: 40 entradas, 14 plataformas, três exclusivas: as suas gamas Galaxy e OLED.
JVC e Blaupunkt coincidem em 20 plataformas. JVC e Hyundai, em 21. Blaupunkt e Hyundai, em 24. Quem comparar um JVC com um Blaupunkt numa loja tem bastantes hipóteses de estar a comparar duas vezes o mesmo aparelho, e o preço não reflecte nenhuma diferença técnica.
O mapa completo: 439 marcas em 222 plataformas
JVC, Hyundai e Blaupunkt não são três casos raros. Contando sobre a
lista inteira, e deixando de fora os 209 leitores e descodificadores
que também recolhe, ficam 2.228 televisores sob 439 nomes
comerciais, repartidos por 222 plataformas. Dessas 222, 101 levam
mais do que uma marca, e algumas levam uma multidão: 60 marcas em
alimos, outras 60 em dangni, 58 em elliniko, 54 em osaka.
Ao contrário, o número lê-se assim: 401 das 439 marcas não aparecem sozinhas em nenhuma plataforma. Nem um só dos televisores que vendem é um televisor que mais ninguém venda. São 91 %.
O outro extremo não se parece nada com isto:
Sony 26 plataformas, 25 exclusivas
TCL 20 plataformas, 20 exclusivas
Philips 32 plataformas, 21 exclusivas
Hisense 12 plataformas, 3 exclusivas
A Hisense está nessa tabela para se ver que nem fabricar o aparelho o tira do arranjo: nove das suas doze plataformas levam também outras marcas.
E as que não têm nenhuma:
Sharp 19 plataformas, 0 exclusivas
Tesla 12 plataformas, 0 exclusivas
Thomson 11 plataformas, 0 exclusivas
Grundig 9 plataformas, 0 exclusivas
Nokia 8 plataformas, 0 exclusivas
Schneider 8 plataformas, 0 exclusivas
TD Systems 8 plataformas, 0 exclusivas
Hitachi 4 plataformas, 0 exclusivas
Sanyo 2 plataformas, 0 exclusivas
Telefunken 1 plataforma, 0 exclusivas
Há um pormenor que surge ao contar os nomes de modelo e que resume a
situação melhor do que qualquer percentagem: 109 marcas diferentes
vendem um televisor cujo model é, literalmente, AI PONT,
repartido por onze plataformas. Outras 77 declaram 4K SMART TV, e
mais 62, 2K SMART TV. Não são nomes de catálogo: é o que o firmware
responde quando se lhe pergunta o que é.
Convém dizer o que isto não cobre: a Samsung e a LG não estão nessa contagem, porque Tizen e webOS não são Android e por isso não entram numa lista do Google Play. As suas 36 e 34 entradas do directório vêm de outra lista, a das séries históricas. O que está acima é a metade Android TV e Google TV do mercado, que é justamente onde há pacotes para desactivar.
Sete marcas de uma mesma casa
A Haier é o outro extremo: fabrica mesmo. E na plataforma hanyang o
directório atribui-lhe sete nomes comerciais diferentes: Haier, Candy,
EVVO, Haitech, HEC, INNOVA e Magelite. Na mesma plataforma estão ainda
Blaupunkt, Hyundai e Linsar. O mesmo se repete em nippori com as versões
de 2K.
O caso mais estranho é R1 e R2. Aí, JVC, Hyundai, Nokia, Thomson,
Schneider, Acer, Hitachi e Sanyo declaram todos o mesmo modelo, ATV R1,
e a Panasonic declara PANASONIC TV sobre o mesmo device.
Como saber qual é o seu
Deixe de procurar por marca e procure por plataforma:
adb shell getprop ro.product.device
O que sair (elliniko, martin, hanyang, seja o que for) é o que há
que procurar no directório. E é aqui que isto serve para
alguma coisa: a lista de pacotes de um Blaupunkt vale para o JVC que
partilha a plataforma, porque o software não vem do nome da frente.
Sem ADB à mão, em Definições → Sistema → Acerca de aparecem o modelo e a versão de Android, o que já limita bastante.
As fichas oficiais não se entendem entre si
O Hyundai HN-43EV3USG é um bom exemplo. A sua página oficial italiana diz, na tabela de especificações, «Sistema Operativo: Google TV». A ficha técnica em PDF do mesmo modelo, alojada no mesmo site, diz «Sistema Operativo: Android™ 11». Umas linhas abaixo da tabela, o texto fala de «Le TV Hyundai con sistema operativo Android».
O que essa ficha diz com clareza: classe energética F, UHD 4K, HbbTV 2.0, DVB-T/C/T2/S/S2, três HDMI e duas USB. O HN-65VA3USG do mesmo catálogo tem quatro HDMI. Nem RAM nem armazenamento aparecem em qualquer um deles.
E atenção a dar o sistema por adquirido: nesse mesmo catálogo de onze televisores há cinco com Google TV, dois com VIDAA (que não é Android, e onde não há ADB nem pacotes para desactivar) e quatro que nem sequer são inteligentes. Mesma marca, mesmo país, três mundos diferentes.
A memória, que é o que decide a vida útil
Quase nenhuma ficha a publica. Dos 80 televisores do catálogo espanhol da Haier, exactamente um diz quanta RAM leva: o H43S80FUX, com «2GB de RAM».
A excepção interessante é um Blaupunkt do site latino-americano, o BLAU754K, que publica a tabela inteira: memória 1,5 GB DDR3, flash 8 GB, CPU ARM Cortex-A9 de dois núcleos a 1,2 GHz, consumo inferior a 300 W e menos de 0,5 W em repouso. Num televisor de 75 polegadas. Essa mesma página anuncia «ANDROID TV™ 9 OS» num bloco e «Sistema Operativo: Android 6.0» na tabela, cinco linhas mais abaixo.
Não precisa de acreditar em nenhuma das duas. Com ADB ligado:
df -h /data diz quanto armazenamento há e quanto está livre.
cat /proc/meminfo | head -1 diz a memória total.
Se restarem menos de dois gigas livres, a limpeza deixa de ser opcional: um televisor sem espaço não consegue actualizar as suas aplicações nem, ao fim, o seu próprio sistema.
O que se tira e o que não
Tira-se sem pensar: as aplicações de streaming que não usa, os canais de conteúdo gratuito do ecrã inicial e os modos de demonstração, muito frequentes nesta gama porque são televisores pensados para brilhar numa prateleira de supermercado.
Vê-se primeiro: o motor de recomendações
(com.google.android.tvrecommendations) deixa o ecrã inicial limpo, mas
esvazia também a fila «continuar a ver».
Não se toca: os serviços do Google Play (com.google.android.gms), o
lançador (com.google.android.tvlauncher no Google TV,
com.google.android.leanbacklauncher no Android TV) e tudo o que comece
por com.android. sem saber o que é.
Tudo isto se desfaz: um pacote desactivado volta com um comando, e um restauro de fábrica devolve o televisor ao estado da caixa.
Se tem um
Destes televisores faz falta sobretudo uma coisa: a saída de
adb shell getprop ro.product.device junto com a marca e a referência
comercial. Com isso podemos confirmar que marcas são o mesmo aparelho, que
é justamente o que nenhuma delas publica. O método geral está em limpar um
televisor de marca
branca.