Por televisor

Hisense A4, A5, A6 e A7: o que trazem e o que se pode tirar

· 7 min de leitura

Ficha visual do Hisense A4, A5, A6 e A7 com os dados principais
Hisense A4, A5, A6 e A7: os dados que definem o aparelho
Ficha técnica
SistemaVIDAA ou HomeOS; nenhum leva Android
SériesA4 e A5 de 32" e 40"; A6 e A7 de 43" a 85"
ResoluçãoHD ou Full HD no A4 e no A5; 4K no A6 e no A7
PainelVA quase sempre; Quantum Dot só no A5 e no A7
Frequência60 Hz nas quatro séries, sem excepção
Brilho200 nits o A4; 220-250 o A5; 200-400 o A6 e o A7
Dolby VisionSó A6 e A7; o A4 e o A5 não o têm
HDMI1.4 no A4 e no A5; 2.1 com ALLM e VRR no A6 e no A7
Wi-FiSó 2,4 GHz no A4 e no A5; também 5 GHz no A6 e no A7
BluetoothNão declarado no A4 nem no A5; 5.0 ou 5.4 no A6 e no A7
Som2 × 6-8 W no A4 e no A5; 2 × 10 W no A6 e no A7
MemóriaA Hisense não publica nem RAM nem armazenamento
ADBIndisponível em todos

É o televisor sobre o qual quase ninguém escreve: o de trezentos euros que vai parar ao quarto, à casa de férias ou ao quarto dos miúdos. A Hisense vende quatro séries nesse escalão (A4, A5, A6 e A7) e na montra parecem o mesmo aparelho em quatro diagonais.

Não são. Entre um A5 e um A6 não muda o tamanho: muda o tipo de televisor. E como aqui em baixo quase ninguém lê a ficha técnica, convém pô-la em cima da mesa antes de falar de aplicações.

As quatro séries são na verdade dois degraus

A forma útil de olhar para isto não é A4 → A5 → A6 → A7 como uma escada de quatro degraus. São dois pares.

O A4 e o A5 são televisores pequenos, de 32 e 40 polegadas, que não chegam ao 4K. O A6 e o A7 são televisores 4K a partir das 43 polegadas, com outra electrónica lá dentro.

Dentro de cada par a diferença é uma só: o A5 é o A4 com painel de pontos quânticos, e o A7 é o A6 com painel de pontos quânticos. Mais nada. Mesma resolução, mesmo processador, mesmas portas.

Portanto a pergunta a sério não é «A5 ou A6?», mas «preciso de 4K?». Tudo o resto vem atrás dessa resposta.

Onde ficam o A4 e o A5

Comecemos pelo que mais surpreende. O 32A4S declara «FHD TV» como tipo de televisor e, três linhas mais abaixo, HD 1366x768 como resolução máxima. As duas coisas não podem ser verdade ao mesmo tempo. O 40A4S declara mesmo Full HD 1920x1080, e os dois tamanhos do A5 também.

Ou seja: se comprar um A4 de 32 polegadas, é muito provável que leve um painel HD, não Full HD, diga o rótulo o que disser. Em 32 polegadas nota-se menos do que em 40, mas é o que há.

O que mais partilham as duas séries pequenas:

  • 60 Hz e sem interpolação de movimento.
  • Sem Dolby Vision e sem HDR10+. O A4S e o A5 declaram HDR10 e HLG; o A4Q diz «Não» até ao HDR10.
  • Sem escalamento 4K, porque não há 4K para escalar. Processador NT72690.
  • HDMI 1.4, com eARC numa das portas.
  • Wi-Fi só de 2,4 GHz (802.11 b/g/n). Não há banda de 5 GHz.
  • Sem Bluetooth: o A4Q e o A5 declaram-no com um «Não» seco, e o A4S nem sequer traz o campo.

O A5 traz o que é seu: Quantum Dot, um espaço de cor declarado entre 0,85 e 0,90 do DCI-P3 contra os 0,72 do A4, e um pouco mais de brilho, 250 nits contra 200. Aí sim há uma diferença que se vê.

Mas atenção ao de 32 polegadas. O 32A5S usa painel ADS e declara 1200:1 de contraste, enquanto o 32A4S, mais barato, usa VA e declara 3000:1. Num quarto às escuras, o preto do A4 pequeno é melhor do que o do A5 pequeno. Troca contraste por cor.

O que começa no A6

Aqui há um salto a sério, e não é só a resolução:

  • 4K UHD real, 3840×2160, com «AI 4K Upscaler» e MEMC.
  • Dolby Vision, além de HDR10, HLG e HDR10+ em modo descodificação.
  • HDMI 2.1 com ALLM e VRR de 48 a 60 Hz, e eARC na terceira porta.
  • Wi-Fi de 5 GHz (802.11 a/b/g/n/ac) e Bluetooth 5.0 ou 5.4.
  • Processador Quad Core MT9603 em vez do NT72690.
  • Duas portas USB em vez de uma.

Continua a ser um televisor de gama de entrada: 60 Hz, zero painéis de 120 nas quatro séries, e sem atenuação local em nenhum. O brilho vai de 200 nits no A6 de 43 polegadas a 300 nos de 50, 55 e 65, e a 330 ou 400 nos tamanhos grandes do A6Q. Não é HDR a sério; é HDR de etiqueta.

O A7 repete tudo isso e acrescenta os pontos quânticos: 0,90 do DCI-P3 contra os 0,75 do A6, e 350 ou 400 nits em vez de 300. Se vê cinema, é a diferença mais honesta das quatro séries.

Ilustração. Decorativa: os detalhes estão nos diagramas do texto.

Os sufixos S e Q, e porque importam

Cada série tem duas variantes com letra final. No catálogo espanhol convivem o A4S e o A4Q, o A5S e o A5Q, o A6S e o A6Q, o A7S e o A7Q.

São gerações diferentes, não acabamentos diferentes, e nota-se no sistema: os modelos S declaram HomeOS U9 (A4S, A5S) ou HomeOS U9.5 (A6S e os A7S de 50, 55 e 65 polegadas), e os Q declaram VIDAA U8.5 ou VIDAA U9. É o mesmo sistema com dois rótulos, como explica o guia de limpeza do VIDAA.

Há excepções que convém ver antes de comprar: o 43A7S declara VIDAA U9 e Bluetooth 5.0, enquanto os irmãos de 50, 55 e 65 polegadas declaram HomeOS U9.5 e Bluetooth 5.4. E os pontos promocionais do A4Q anunciam «VIDAA U6» quando a sua própria tabela diz VIDAA U8.5.

O som, com uma excepção clara

É 2 × 10 W quase sempre no A6 e no A7, com Dolby MS12 e DTS X, e entre 2 × 6 W e 2 × 8 W no A4 e no A5.

A excepção é o A7Q, o único das quatro séries que declara 2 × 10 W mais 20 W de subwoofer integrado e o único cujo campo de ficha diz «Dolby Atmos: Sim». No A6Q esse mesmo campo diz «Não», e nos modelos S nem aparece: o Atmos só é mencionado no texto promocional.

O que a Hisense não publica, e aqui dói mais

Nem RAM nem armazenamento. Não aparecem em nenhuma das vinte e seis fichas destas quatro séries. Nem um dado.

Num televisor de gama alta isso é aborrecido. Aqui é o que decide quantos anos lhe dura o aparelho: quando o armazenamento se enche, as aplicações deixam de se actualizar, e a certa altura o televisor nem consegue instalar a sua própria actualização de sistema.

E há um agravante. Num Android TV isto verifica-se com df -h /data em trinta segundos. No VIDAA não há ADB, portanto não há comando, não há consola e não há maneira de olhar. Fica a saber no dia em que a memória acabar.

Outras lacunas que encontrámos: o A5Q tem toda a tabela de conectividade a zero (HDMI, USB, saídas de áudio, tudo) e a sua latência de jogo diz «TBD». O brilho de pico não é declarado em nenhuma das quatro séries.

O que se pode limpar

Pouco, e por outro caminho. Nenhuma destas séries leva Android: todas dizem VIDAA ou HomeOS, e isso significa que não há ADB, não há pm disable e não há sideload. Repassámos as 145 fichas do catálogo espanhol da Hisense e não há um único Google TV.

O que se consegue fazer (desligar o reconhecimento de conteúdos, cortar a publicidade personalizada, tirar as aplicações que o sistema deixe tirar e não associar conta) está explicado passo a passo no guia do VIDAA. Vale igualmente para as quatro séries.

Se ainda está a escolher

Para um quarto, um A4 de 32 polegadas faz o seu trabalho, desde que aceite que provavelmente é HD.

Se o televisor vai para uma sala pequena e vai ligar-lhe uma consola, o salto para o A6 não é capricho: o HDMI 2.1 com ALLM e VRR, o Bluetooth e o Wi-Fi de 5 GHz só existem daí para cima.

E se o orçamento chegar, o A7 é o A6 com melhor cor por pouco mais. O que não vai encontrar em nenhuma das quatro é um painel de 120 Hz, atenuação local ou um número de memória publicado.

Tudo o que está aqui aplica-se a um aparelho que lhe pertence, e toda a desinstalação é reversível. Os limites deste projecto: O que fazemos e o que não