Xiaomi TV S Pro Mini LED 2026: o que traz e o que se lhe pode tirar
· 8 min de leitura
| Ano | 2026 |
|---|---|
| Sistema | Google TV em Espanha, Itália, França, Alemanha e Polónia |
| Resolução | 4K UHD |
| Painel | QLED com Mini LED e 408 zonas de atenuação |
| Frequência | 144 Hz; até 288 com duplicação de linhas por HDMI |
| Brilho | 540 nits mínimos, 600 típicos e 1.700 de pico |
| Contraste | 6.000:1 típico |
| Cor | 92 % de DCI-P3 mínimo, 94 % típico; 8 bits com FRC |
| HDR | Os quatro: Dolby Vision, HDR10+, HDR10 e HLG |
| Memória | 3 GB de RAM e 32 GB eMMC |
| Som | 2 × 15 W em quatro altifalantes, com Dolby Atmos e DTS-X |
| Ligações | Só 3 HDMI; a 1 e a 2 chegam a 4K e 144 Hz |
| eARC | Na HDMI 2, que é uma das duas rápidas |
| Tamanhos | 55", 65" e 75" |
Este é dos televisores que o fabricante melhor documenta, e isso já é notícia. No seu apoio oficial a Xiaomi publica em separado o brilho mínimo, o típico e o de pico, a percentagem de DCI-P3 com dois valores, o contraste, o número de zonas e até em que porta HDMI está o eARC, que é um dado que quase ninguém dá.
Por isso aqui não falamos do que esconde. Falamos do que diz, que tem a sua própria armadilha.
Três portas HDMI. Três.
Comecemos pelo que mais lhe vai condicionar a sala: este televisor tem três entradas HDMI, não quatro. E a Xiaomi detalha como se repartem:
- As três são HDMI 2.1, com CEC, ALLM e VRR.
- A 1 e a 2 aceitam 4K a 144 Hz. A terceira, não.
- O eARC está na 2.
Faça as contas: se ligar uma barra de som à HDMI 2, que é onde tem de ir, fica-lhe uma única porta capaz de 144 Hz para a consola, e uma terceira, lenta, para tudo o resto. Com um descodificador, uma consola e uma barra já encheu o televisor.
Não é um defeito escondido: está publicado. Mas é do género de coisa que se descobre no dia da montagem, quando já é tarde para escolher outro.
Se isso apertar, a saída barata é um comutador HDMI 2.1 que aguente os 48 Gbps — os baratos não passam de 4K a 60 Hz — ou deixar o descodificador na porta lenta, que para televisão não precisa de mais.
Os 288 Hz, que não são 288 Hz
Na ficha aparece que é «compatível com DLG a 288 Hz por HDMI». Convém traduzi-lo, porque numa loja transforma-se em «288 Hz» e pronto.
DLG significa que o televisor parte a imagem e duplica linhas para poder actualizar o dobro das vezes, à custa de resolução vertical. É uma técnica legítima e útil para jogo competitivo, mas o painel é de 144 Hz. É o que dá, e já é bastante: não há muitos a este preço que lá cheguem a sério.
A Xiaomi, ao menos, rotula-o como DLG em vez de lho vender como frequência nativa.
O que é, por dentro
Um Mini LED com 408 zonas de atenuação no modelo de 55 polegadas, painel QLED que cobre no mínimo 92 % do espaço DCI-P3 e 94 % em valor típico, e um contraste típico de 6.000:1.
O brilho é publicado em três números, a forma honesta de o fazer: 540 nits como mínimo garantido, 600 em valor típico e 1.700 de pico. Esse pico é numa janela pequena e em HDR; o número de todos os dias é o 600.
Um pormenor de cor que nem sempre se conta: o painel é de 8 bits com FRC, não de 10 bits nativos. Os mil milhões de cores que anuncia saem de alternar tons muito depressa, não de ter essa profundidade a sério. É o normal neste escalão e nota-se pouco, mas é mais uma coisa que a Xiaomi diz e outras marcas calam.
Aceita os quatro formatos HDR que existem: Dolby Vision, HDR10+, HDR10 e HLG.
Por dentro leva 3 GB de RAM e 32 GB de armazenamento eMMC, com processador de quatro núcleos Cortex-A73, Wi-Fi 6 e Bluetooth 5.2. Para um televisor, 3 GB é mais do que o habitual e nota-se no à-vontade do menu.
O som são quatro altifalantes — um tweeter e um de gama completa de cada lado — que somam 2 × 15 W, com Dolby Atmos e DTS-X.
Cuidado com o nome: na Xiaomi de 2026 convivem três sistemas
Isto é o mais importante desta página se ainda não comprou, porque os nomes da gama deste ano parecem postos para confundir.
Nem todos os Xiaomi de 2026 levam Google TV. Consoante o modelo, o mesmo catálogo europeu traz três sistemas:
- Google TV: as séries A, A Pro, X Mini LED e este S Pro Mini LED.
- Google TV Lite: o A Pro de 32 polegadas, uma versão reduzida.
- Fire TV, o da Amazon: as séries F, F Pro e FX Mini LED.
Repare bem no par que faz estragos:
- O FX Mini LED leva Fire TV.
- O X Mini LED leva Google TV.
Uma letra de diferença no nome, e dois sistemas operativos que não têm nada a ver: loja diferente, nomes de pacote diferentes e lista diferente do que se pode tirar. Se comprar pelo nome lido à pressa, leva o outro para casa.
E dentro da própria família S há uma segunda armadilha. No S Mini LED — o que não tem «Pro» — a frequência muda com a polegada. Os de 55, 65 e 75 vão a 60 Hz, com 2 GB de RAM e Wi-Fi 5; só os de 85 e 98 chegam aos 144 Hz, com 3 GB e Wi-Fi 6. O S Pro desta ficha, esse, vai a 144 Hz nos seus três tamanhos.
Ou seja: dentro da mesma série, comprar o de 65 em vez do de 85 pode significar passar de 144 Hz para 60. Veja a ficha do tamanho concreto, nunca a da série.
Como saber se esta ficha é a do seu televisor
As referências europeias deste modelo são L55MB-SEU, L65MB-SEU e
L75MB-SEU, e a Xiaomi associa-as expressamente a Espanha, Itália, França,
Alemanha e Polónia.
Em Definições → Sistema → Acerca de aparecem o modelo e a versão do
Android. Com ADB, getprop ro.product.model dá o mesmo sem andar pelos menus.
Se o seu aparelho disser Android TV em vez de Google TV, é uma unidade de outro mercado: a Xiaomi serve Android TV na Rússia, na Bielorrússia e no Cazaquistão. O método desta página serve na mesma; o que muda é o ecrã inicial.
O que traz de fábrica
O da Google. O lançador (com.google.android.tvlauncher), o motor de
recomendações (com.google.android.tvrecommendations), a pesquisa por voz
(com.google.android.katniss) e os serviços (com.google.android.gms).
O da Xiaomi. A sua camada própria de serviços, com pacotes que costumam
começar por com.xiaomi. ou com.mitv., mais algum assistente de configuração
e aplicações de conteúdo próprias. Os nomes exactos mudam entre versões de
firmware, por isso liste as suas em vez de se fiar numa lista da internet.
O dos outros. Netflix, Prime Video, Disney+ e companhia vêm instaladas por acordo comercial, e o comando traz botões dedicados. O botão fica mesmo que tire a aplicação: simplesmente deixa de levar a lado nenhum.
O que sai sem grande pensar
As aplicações de streaming que não usa. Com 32 GB o espaço não aperta, mas o resto sim: actualizam-se sozinhas, aparecem na linha de recomendações e falam com os seus servidores.
Os canais de conteúdo gratuito que enchem o ecrã inicial são o segundo caso claro, e nos Xiaomi costumam vir vários.
O que convém olhar antes
O motor de recomendações. Tirá-lo deixa o ecrã inicial limpo, mas também esvazia a linha de «continuar a ver».
E antes de tocar em qualquer pacote, entre nas definições de privacidade e veja o que o televisor está a partilhar. Nos Xiaomi há bastante para reduzir dali, sem ADB e sem risco nenhum.
O que não se toca
Os serviços do Google Play. São a base da loja, das contas e de boa parte das aplicações. Sem eles o televisor arranca e pouco mais.
O lançador, enquanto não tiver outro instalado e a funcionar. Um televisor sem lançador liga num ecrã preto, e resolver isso só com o comando é bastante mais difícil do que ter pensado nisso antes.
Tudo o que comece por com.android. sem saber o que é: com.android.systemui
é a interface do sistema e com.android.settings são as próprias definições.
E o que tem que ver com HDMI e com o controlo de aparelhos externos: por aí passam o eARC da HDMI 2, o VRR e os 144 Hz das portas boas.
O que se nota de verdade
O ecrã inicial deixa de lhe propor séries de serviços que não tem. Desaparecem as notificações de conteúdo. E com 3 GB de RAM o televisor já andava solto, por isso aqui o que ganha é sobretudo sossego, não velocidade.
O que não muda: as 408 zonas, os 1.700 nits de pico, os quatro formatos HDR nem os 144 Hz. Nada disso depende das aplicações instaladas.
Tudo isto se desfaz
Os pacotes desactivados por ADB voltam com um comando, e uma reposição de fábrica devolve o televisor exactamente ao estado em que saiu da caixa. Aqui não se toca no sistema: apenas se diz ao televisor que não carregue algo que já lá estava instalado.
Se tiver um
A lista de aplicações do seu S Pro, tal como o aparelho a devolve, é o que falta para fechar a sua ficha. E se tiver um de 65 ou de 75, diga-nos também quantas zonas de atenuação o seu declara: a Xiaomi só publica as 408 do modelo de 55, e para os outros dois tamanhos hoje não há dado em lado nenhum.