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Samsung QN90F e S95F: o que trazem e o que se lhes pode tirar

· 7 min de leitura

Ficha visual do Samsung QN90F e S95F com os dados principais
Samsung QN90F e S95F: os dados que definem o aparelho
Ficha técnica
Ano2025
SistemaTizen; a Samsung não publica número de versão
Resolução4K (3.840 x 2.160)
PainelNeo QLED com mini LED no QN90F; OLED no S95F
Frequência120 Hz declarados no QN90F, 100 Hz no S95F; até 165 Hz
HDRHDR10+ Adaptive e Gaming, e HLG; sem Dolby Vision
BrilhoA Samsung não publica um único valor em nits
Som60 W em 4.2.2 no QN90F de 65"; 70 W em 4.2.2 no S95F
Ligações4 HDMI, e as quatro aceitam 4K a 165 Hz
eARCSim; só a ficha do S95F diz em que porta
Caixa de ligaçõesOne Connect no S95F; o QN90F não a tem
Actualizações7 anos de Tizen anunciados; 8 na ficha regulamentada
Tamanhos43" a 115" o QN90F; 55" a 83" o S95F

Comecemos pelo que poupa tempo: estes dois televisores levam Tizen, que não é Android. Não há ADB, não há pm uninstall, não há lista de pacotes para desactivar. Tudo o que se pode fazer num Samsung está nos seus próprios menus, e está contado em limpar um televisor Samsung com Tizen.

Se chegou aqui à procura de comandos, essa página é a resposta; e a razão por que estas marcas ficavam fora do directório está em porque é que a Samsung e a LG ficam de fora.

O que vale a pena contar aqui é o material, porque na ficha técnica destes dois modelos há números que não batem certo entre si, e um deles custa-lhe dinheiro se não o olhar antes de comprar.

Quatro HDMI, e desta vez correm as quatro

É a primeira coisa a dizer, porque é a excepção e não a regra. A ficha de ambos os modelos declara-o assim: 4K 165Hz (for HDMI 1/2/3/4).

As quatro portas. Não duas rápidas e duas lentas, como é hábito na concorrência. Aqui liga a consola onde o cabo chegar.

Um aviso: essa largura de banda não vem activa de fábrica em todas as portas. O manual descreve uma definição chamada Input Signal Plus, que se aplica porta a porta, e avisa que se a função Input Signal Plus estiver desligada, os sinais HDR enviados por um dispositivo externo não podem ser recebidos. Está em Definições → Todas as definições → Geral e privacidade → Gestor de dispositivos externos.

É a definição que quase ninguém toca, e a que mais se nota.

Os 165 Hz, e os 120 e 100 da mesma página

Aqui a ficha contradiz-se sozinha, por isso convém lê-la devagar.

O campo «taxa de actualização» do QN90F diz 120Hz (Up to 165Hz). O mesmo campo do S95F diz 100Hz (Up to 165Hz). E a ficha energética europeia, que é o documento regulamentado, declara para os dois 165 Hz de frequência de actualização de imagem predefinida.

O manual de 2025 é mais claro do que o site. Traz uma lista por modelo, e no topo lê-se: Models that support up to 165 Hz, QN900F, S95F, QN9*F (except for 115-inch models). Ou seja: o S95F e o QN90F chegam aos 165, tirando o QN90F de 115 polegadas, que está na lista dos 144.

Na tabela de resoluções o manual confirma 3840 x 2160 a 165 Hz. Os 165 são portanto verdadeiros; o que não se percebe é o que mede a Samsung quando escreve 120 ou 100 no seu próprio site.

E há um terceiro número, caso fosse pouco: essa mesma página alemã do S95F põe 4K@120 Hz (bis zu 144 Hz) no campo das funções HDMI 2.1, duas linhas abaixo dos 100 Hz e dos 165 Hz de cima. Três pares de números numa só página, para o mesmo aparelho. Para ir em segurança, fique-se pelo manual e pela ficha energética.

O eARC lá está, mas ninguém diz onde

Os dois têm eARC: a ficha põe-no no campo do canal de retorno de áudio. O que não encontra em lado nenhum é em que porta.

A única página da Samsung que se compromete é a alemã do S95F, que enumera eARC (auf HDMI-Port 3). O mesmo campo na página alemã do QN90F diz apenas «eARC», sem número. E o manual, comum a toda a gama de 2025, não vai além do eARC dedicated HDMI port.

A página de apoio da Samsung sobre o eARC acaba ao menos em algo prático: a porta traz a etiqueta ARC nas costas do televisor ou na One Connect Box, e na maioria dessas caixas é normalmente a terceira porta HDMI.

E um pormenor que explica muitas queixas: essa mesma página diz que a definição predefinida do modo eARC está desactivada, e que o televisor liga em ARC automaticamente. Se comprou uma barra de som cara e o áudio chega comprimido, comece por aí: Definições → Som → Definições avançadas → modo HDMI eARC.

HDR10+ sim, Dolby Vision não, e não é esquecimento

As fichas dos dois declaram HDR 10+: Sim (ADAPTIVE/ GAMING) e, na versão alemã, HLG: Ja. Dolby Vision não aparece: nem no campo de HDR, nem em qualquer outro, nem uma única vez no manual de utilizador de 2025.

Não é um descuido de papelada. É a posição da Samsung há anos, e é exactamente a contrária à da LG. Se vem de um televisor com Dolby Vision e a sua biblioteca está nesse formato, será reproduzida em HDR10 e o logótipo não aparecerá. É o que há, e é melhor sabê-lo antes.

Ilustração. Decorativa: os detalhes estão nos diagramas do texto.

Em que diferem de verdade

O QN90F é Neo QLED, ou seja LCD com retroiluminação mini LED, e a sua ficha energética escreve-o: panel technology used: QLED LCD. O som, na versão de 65 polegadas, são 60 watts em 4.2.2, com Dolby Atmos e OTS+. Duas portas USB-A e nenhuma caixa externa.

O S95F é OLED (panel technology used: OLED) e sobe o som para 70 watts, também em 4.2.2. Traz três USB-A e uma USB-C e, sobretudo, traz a One Connect (Y24 4K): todas as ligações ficam numa caixa separada e ao painel chega um único cabo. Para montagem na parede pesa mais do que qualquer número da ficha.

Um aviso sobre o QN90F: o som depende muito do tamanho. O de 43 polegadas desce para 20 watts em 2 canais e o seu campo de HDR diz «Neo Quantum HDR», sem o «+» dos modelos grandes. A série não é homogénea.

O consumo, com dois valores e ambos são deles

A ficha comercial do QN90F de 65 polegadas diz 270 W de consumo máximo. A ficha de produto regulamentada, para esse mesmo TQ65QN90FAT, declara 89,0 W em SDR com classe F e 231,0 W em HDR com classe G. No S95F de 65 são 540 W de máximo na web, e 100,0 W em SDR e 315,0 W em HDR no documento regulamentado. Os dois declaram 0,5 W em espera e 2,0 W em espera de rede.

Não se contradizem: medem coisas diferentes. Mas se está a comparar modelos, compare sempre a mesma coluna.

Sete anos de actualizações, ou oito

A Samsung escreve nas duas páginas que as actualizações do sistema Tizen estão disponíveis gratuitamente durante 7 anos a partir do lançamento do produto, para modelos de 2023 em diante.

A ficha regulamentada diz outra coisa, e diz mais: 8 anos de disponibilidade mínima garantida de actualizações de software e firmware, contados desde o fim da comercialização, mais 7 anos de peças e 7 de apoio ao produto. São dois compromissos distintos com dois relógios distintos, e o segundo é exigível.

Como saber se esta ficha é a do seu televisor

O código do modelo muda de país para país mesmo quando o aparelho é o mesmo. O QN90F de 65 polegadas é TQ65QN90FATXXC em Espanha, QE65QN90FATXXU no Reino Unido e GQ65QN90FATXZG na Alemanha. O S95F de 65 é TQ65S95FATXXC, QE65S95FATXXU e GQ65S95FATXZG.

Repare no bloco do meio, a única parte que conta: 65QN90F ou 65S95F. O F final é o ano de 2025.

O que vem de fábrica, e o que se pode fazer

A ficha declara Samsung TV Plus em ambos, disponível em Portugal entre outros países, e vem integrado no sistema: não é uma aplicação que se desinstale. As aplicações de streaming que chegam por acordo comercial também não.

O que fica nas suas mãos são as caixas de privacidade, as aplicações que instalar e a decisão de não associar uma conta Samsung. Está tudo no guia do Tizen, a quem esta ficha passa o testemunho.

O que a Samsung não publica

O brilho. Nem um valor em nits, em nenhuma das páginas nem no documento regulamentado. A única menção que encontrámos estava numa opinião de cliente no site britânico.

A versão do Tizen. O campo do sistema operativo diz «Tizen™ Smart TV» e acaba aí. Também não há RAM nem armazenamento em ficha nenhuma.

A porta do eARC do QN90F, como vimos. Com o aparelho à frente, ler a serigrafia de trás fecha o buraco.

Tudo o que está aqui aplica-se a um aparelho que lhe pertence, e toda a desinstalação é reversível. Os limites deste projecto: O que fazemos e o que não