Sem Android

LG com webOS: o que se pode limpar quando não há ADB

· 6 min de leitura

Ficha visual do LG com webOS com os dados principais
LG com webOS: os dados que definem o aparelho
Ficha técnica
SistemawebOS
BaseNão é Android
ADBNão disponível ao utilizador
SideloadNão suportado
Desinstalar aplicaçõesSim, as que o sistema marcar como removíveis
Definições de privacidadeSim, e estão espalhadas
Reconhecimento de conteúdoChama-se Live Plus, ligado de fábrica
Publicidade personalizadaPode desligar-se
Barra inicialPode reordenar-se
Conta LGOpcional

O webOS é, dos três sistemas fechados que dominam o mercado, o que melhor trata o dono num ponto concreto: deixa desinstalar bastantes mais aplicações do que os outros dois. E o que pior o trata noutro: o ecrã inicial das versões recentes está mais carregado de conteúdo comercial do que nunca.

Como o Tizen e o VIDAA, não é Android: não há ADB para o utilizador, não há sideload e não existe uma lista de pacotes para desactivar. Se procurava isso, não há.

O que há são algumas definições que mudam bastante o aparelho, e uma em particular que quase ninguém conhece pelo nome.

Live Plus: o nome que a LG dá a ver o que vê

Todos os fabricantes fazem reconhecimento automático de conteúdo. A Samsung chama-lhe «serviços de informação de visualização»; a LG chama-lhe Live Plus.

Faz o mesmo: identifica o que aparece no ecrã e comunica-o. E como nas outras marcas, não se limita às aplicações do televisor: alcança também o que entra por HDMI e pela antena, ou seja, a box, a consola e a televisão de sempre.

Vem ligado de fábrica e desliga-se aqui:

Definições → Todas as definições → Geral → Sistema → Definições adicionais → Live Plus, e desactiva-se.

Quatro níveis de menu, numa opção cujo nome não diz o que faz. Por isso continua ligada na esmagadora maioria dos televisores LG que há nas casas.

Nalgumas versões do webOS vai encontrá-la em Privacidade e segurança, e ao lado haverá algo chamado «serviço de reconhecimento de conteúdo» ou «informação de visualização». É a mesma coisa: desligue.

Os anúncios do ecrã inicial

Na mesma zona das definições há opções para os anúncios e a sua personalização. Desactivá-las não esvazia o ecrã inicial — os espaços comerciais continuam lá — mas impede que o que se mostra seja escolhido a partir de um perfil seu.

Vale a pena entrar e ler essa secção opção a opção. No webOS estão repartidas por mais sítios do que no Tizen, e é fácil desligar uma e deixar três.

As aplicações: aqui há margem

Esta é a parte em que o webOS é melhor do que os concorrentes.

Carregue no botão de início, entre na barra de aplicações e procure à direita de tudo o cartão com um lápis: é o modo de edição. Ao percorrer as aplicações, as que se podem desinstalar mostram uma cruz por cima.

O atalho também funciona: coloque-se sobre a aplicação em «As minhas apps», mantenha OK premido e aparece um caixote do lixo no canto.

Agora as letras pequenas, iguais em todos os sistemas fechados: nem todas a têm. As aplicações que fazem parte do sistema e as que estão lá por acordo comercial não mostram nem cruz nem caixote. Essas ficam, e não há maneira.

Um caso recente ilustra-o bem: a chegada de um assistente da Microsoft pré-instalado aos televisores LG através de uma actualização, sem opção de o desinstalar. Pode movê-lo para o fim da barra, e mais nada.

O que pode com todas é reordenar a barra inicial e mandar para o fundo o que não usa. É meia hora bem empregue: muda o que vê sempre que liga.

A conta LG

O televisor funciona sem iniciar sessão. A conta faz falta para a loja e para alguns serviços; para ver televisão e usar as entradas HDMI, não.

Se nunca a criou, não a crie. Se a criou na configuração inicial sem pensar, pode terminar sessão nas definições.

Ilustração. Decorativa: os detalhes estão nos diagramas do texto.

Verifique depois de cada actualização grande

No webOS as actualizações mudam coisas de sítio com mais frequência do que noutros sistemas: menus reorganizados, opções com outro nome, e por vezes definições que voltam ao valor de fábrica.

Quando o televisor o avisar de que se actualizou, volte ao Live Plus e confirme que continua desligado. E se o menu já não estiver onde o deixou, procure em Privacidade e segurança.

O que não se pode fazer

Instalar aplicações que não estejam na loja da LG. O modo de programador do webOS existe, mas está pensado para programadores com a sua própria aplicação, e as instalações caducam ao fim de alguns dias.

Desactivar componentes do sistema. Não há lista de pacotes.

Mudar a interface. A barra inicial do webOS é a única.

E o do costume: desconfie de tudo o que prometa «fazer root» ao seu LG. Na melhor das hipóteses não funciona; na pior, fica sem televisor e sem garantia.

E se quiser ir um passo mais além: a rede

Quando por dentro não se pode tocar em nada, resta a ligação.

Bloquear por DNS os domínios de telemetria e publicidade no router deixa o televisor sem poder reportar, e vale para todos os aparelhos da casa ao mesmo tempo.

Dois avisos honestos. Bloquear às cegas parte coisas: os mesmos domínios servem às vezes capas, pesquisa ou actualizações, e fica com uma aplicação que não carrega sem saber porquê. E isto já não é uma definição do televisor: é administrar a sua rede, com a manutenção que isso traz.

Para quase toda a gente, o Live Plus desligado e uma barra inicial reordenada dão a maior parte do resultado com uma fracção do trabalho.

A opção em que quase ninguém pensa

Se o sistema continuar a estorvar — porque fica lento com os anos, porque o ecrã inicial se enche outra vez depois de cada actualização — a saída razoável num televisor fechado é deixá-lo como ecrã e pôr-lhe à frente um leitor externo.

Os painéis da LG, sobretudo os OLED, duram muito mais do que o software que levam por cima. Trocar um leitor de cem euros de quatro em quatro anos sai mais barato do que trocar o televisor porque a interface se tornou insuportável.

O que já foi enviado não se apaga sozinho

Desligar o reconhecimento de conteúdo corta o que for recolhido a partir de agora. Não apaga o que o televisor enviou durante os meses ou anos em que esteve ligado na sua sala.

Na União Europeia isso tem remédio, e é a alavanca mais ignorada precisamente nos televisores onde não se pode desactivar nada por software: o regulamento de protecção de dados dá-lhe o direito de perguntar ao fabricante o que tem sobre si e de pedir que o apague.

Faz-se pelo formulário de privacidade do fabricante, com o número de série do aparelho à mão. A resposta demora e nem sempre chega completa, mas é um direito e não um favor — e num sistema fechado é a única via que chega ao que já saiu de casa.

Em resumo

Num LG com webOS não há debloat. Há uma função chamada Live Plus que convém desligar e que quase ninguém encontra, umas opções de anúncios espalhadas pelas definições, e — isto é o melhor do webOS — bastantes aplicações que se deixam mesmo desinstalar. Com isso e a barra inicial reordenada, o televisor parece-se bastante mais com aquele que julgava ter comprado.

Tudo o que está aqui aplica-se a um aparelho que lhe pertence, e toda a desinstalação é reversível. Os limites deste projecto: O que fazemos e o que não